sexta-feira, 29 de maio de 2009

Uma ciência para o desenvolvimentismo

Introdução
Ciência e técnica são noções essencialmente diferentes e assim foram, consideradas, mas, no mundo capitalista, o conhecimento científico tornou-se um fator decisivo para o desenvolvimento, antes associado, predominantemente, a recursos físicos. O tipo de saber que propício ao desenvolvimento caracteriza-se como uma tecno-ciência, na qual se atenuam sensivelmente as diferenças que distinguiam os dois campos em tempos passados. A ciência tecnificando-se tornou-se, de algum modo, uma cúmplice da dominação da natureza e da sociedade caracterizando-se por uma vontade de poder sobre as coisas e sobre o próprio homem, que a identifica à técnica. Mas, como diz Ladrière, ela conserva a sua finalidade específica, que é a produção de conhecimentos sempre mais precisos, mais amplos, mais confiáveis, e matematicamente construídos. Instrumentos, aparelhos e técnicas são parte integrante da sua realização. Pode-se dizer que não há hoje pesquisa científica, quer se trate da biologia, da medicina, ou da física, que não seja tecnicamente mediada. Na própria índole dos conhecimentos visados pelas ciências, são perceptíveis as razões pelas quais ela se prolonga hoje, muito freqüentemente, em uma ordem de saberes que já se situam na esfera da técnica. A concepção de científico-epistemológica dominante afirma que, para conhecer, é necessário desconstruir, reconstituir, manipular o objeto visado. Devido a esse caráter operatório, a ciência é construída através de um vai-vem contínuo entre o momento teórico propriamente dito, e o experimental, embora as noções de ciência e de técnica abstratamente consideradas, oponham-se como a teoria à prática e o conhecimento à ação.
Até o final do Renascimento, os conhecimentos propiciados pelas ciências da natureza eram tecnicamente utilizáveis, apenas de um ponto de vista formal. Só a partir de Galileu, uma atitude técnica começa a presidir às ciências experimentais. E, no século XIX inicia-se o processo de tecnificação dos conhecimentos sobre a natureza, favorável ao estreitamento dos seus vínculos com a área industrial, cuja produção, condicionada e estimulada pelas exigências sócio-político-econômicas peculiares ao modo de produção capitalista, torna-se campo de uma constante e progressiva intervenção do Estado. Assim não é somente ao sistema econômico que as ciências e a técnica se integram, mas também às instâncias político-administrativas maiores das sociedades onde se instalam. Estabelece-se assim uma dinâmica através da qual o complexo científico-técnico politiza-se de algum modo, ao mesmo tempo que a política se torna científica. A ciência converte-se a partir daí em um tema sociologicamente pertinente, pois não só o contexto técnico-científico, mas também o contexto econômico e o político passam a ser conotados pela palavra técnica. E esta, que permaneceu, por séculos, como um objeto teórico de interesse apenas da ciência e da filosofia, tornou-se, no século XX, motivo de crescente preocupação social, mundialmente generalizada. Devido às proporções do seu impacto sobre o homem, a natureza e a sociedade, ela gera hoje, universalmente, reações contraditórias de esperança e de temor.
Quanto à natureza da técnica, considera-se, em geral, que ela manifesta o homo faber assim como o falar-pensar manifesta o homem como vivente que se caracteriza pelo logos. Como diz A. Leroi-Gourham o homem fabrica instrumentos concretos e símbolos que, basicamente, derivam, uns e outros, do mesmo equipamento cerebral. A linguagem e o fazer técnico têm origem portanto, na mesma propriedade do homem e ambos vêm sendo objeto de reflexão desde a Antigüidade até os dias de hoje.
Em um histórico das concepções da técnica que termina com a exposição de seu próprio ponto de vista sobre o assunto, Castoriadis refere-se às idéias de "poetas gregos", de Platão, de Aristóteles e de Marx sobre o mesmo tema.
Nos "poetas gregos mais antigos", o termo técnica é quase sempre interpretado como fabricar, produzir, construir, porque a tèchnè procede sempre do que já existe, do que já é dado: Homero não diz, de Zeus, que ele faz ser (no sentido de existir ou acontecer), uma tempestade de chuva, mas que Zeus fabrica, produz a tempestade. (Castoriadis, 1978: 224)
A técnica é, nesse caso, um arranjo adequado, um ajustamento, uma transformação apropriada de materiais, que representa uma visão coerente com a idéia de criação que vigorava no pensamento grego anterior à Platão, quando não se admitia a passagem do não-ser ao ser, ou seja, a criação a partir do nada, ex nihilo. Neste contexto filosófico, a poièsis, não poderia, coerentemente, ser pensada como ato criador. Assim, em trabalhos iniciais do próprio Platão, como, por exemplo, no Timeu, lê-se que a criação do mundo dá-se a partir de elementos preexistentes, ajuntados, transformados, ajustados uns aos outros "em verdadeiras tecnidades demiúrgicas. Só mais tarde, Platão propõe a idéia de criação, de ato criador, em seu pleno sentido de surgimento a partir do nada e altera-se, em conseqüência a concepção da técnica. No diálogo O Banquete," surge a conceituação da poiesis: Causa que, qualquer que seja a coisa considerada, a faz passar do não-ser ao ser, (de modo que) os trabalhos que dependem de uma tèchnè, qualquer que ela seja, são poièses e seus produtores são todos poetas (criadores). (Castoriadis; 1978: 225)
Aristóteles assume esse sentido platônico da palavra, mas dá-lhe uma interpretação que não só a torna mais precisa [mas também virem à tona] certas conotações latentes, quando, por exemplo, afirma que a técnica, ou bem imita a physis ou bem efetua o que a natureza é incapaz de realizar. Ou ainda, quando sustenta que a tèchnè é o outro da physis mas a tèchnè, por excelência, seria a poesia, imitação de uma physis, que não é apenas physis.
Castoriadis acha que o conjunto de significações atribuídas ao conceito de técnica, na modernidade, conserva-se basicamente idêntico ao do mundo grego, mesmo em Marx, que representaria, a seu ver, o momento culminante dos tempos modernos nas considerações sobre o assunto.
A técnica é que estaria em questão quando Marx fala de trabalho, de indústria, de forças produtivas, razão pela qual o próprio termo técnica não é usado com maior freqüência em seus escritos. Nos Manuscritos de 1844, a palavra aparece como fator ao mesmo tempo central e criador do mundo social-histórico. Nos textos subseqüentes, desde A Miséria da filosofia, (1847), ao Prefácio da economia política, (1859), ela assume um outro sentido, que vem a ser dominante em sua obra: a técnica, como desenvolvimento da racionalidade. Muda também, ao mesmo tempo, e correlatamente, a concepção marxista do homem. Este, que nos Manuscritos é o ser que se auto-engendra pelo trabalho, passa a ser considerado pelo ângulo do que parece a Marx o objetivo humano essencial: domar, moldar, dominar as forças da natureza, fazendo assim, da história,
da história.

Tecnociencia
A ciência que se conjuga à técnica na determinação do mundo e da vida, em todos os níveis, é a ciência originária do século XVII, modelada fundamentalmente por Galileu e Descartes, em correspondência ao grande anseio do século XVII por conhecimentos certos e indubitáveis. A filosofia de Descartes expressava esse interesse e assim deve ser lida, conforme sugestão de diferentes especialistas, inclusive Alquiè . Os seus pressupostos são que uma metodologia, matematicamente construída e corretamente aplicada, possibilitaria a conquista de certezas absolutas e definitivas sobre o universo, isentas das conotações teológicas que se mesclavam aos princípios do conhecimento filosófico na era medieval e continuavam a vigorar, tanto na filosofia como nas ciências, ainda no século XVII.
É surpreendente o êxito histórico alcançado por essa forma de pensar que então se constituiu. Os princípios que a sustentam metodologicamente, expressos, de modo mais completo nas Regulae ad directionem ingenii e, resumidamente, no Discurso do método, não apenas representam a base de todo o pensamento e prática científica até os dias de hoje, mas também, embora caótica e confusamente, definem o senso comum de todo o Ocidente, cujo o modo de pensar é predominantemente aristotélico-tomista-cartesiano. Confirma-se, assim, mais uma vez, o acerto dos pontos de vista de Gramsci sobre o tipo específico de constituição do pensamento das camadas populares das sociedades, que se caracteriza como um amalgama das grandes filosofias do passado.

O fim do determinismo
Só no decorrer do século XX é que, o avanço das pesquisas científicas ocasionou a percepção de fenômenos capazes de abalar os sólidos princípios do determinismo e da ordem universais, pilares do método cartesiano. A avidez começa, aos poucos, a ceder lugar à idéia de que conhecer ou pensar consistem, essencialmente, em dialogar com a incerteza, pois como diz Edgar Morin, a visão da ciência clássica para a qual existe um mundo mecânico, determinista, ordenado, estava se desintegrando e ocasionando o aparecimento de um universo, no qual surgem, por toda parte, o aleatório, a agitação térmica, as coalizões, o imprevisível. O próprio Morin, referindo-se ao seu "longo estudo" sobre os princípios do conhecimento, diz não duvidar de que as ciências possibilitam muitas certezas, mas acha que elas formam um "arquipélago num oceano de incertezas." ( Morin; 1987: 73)
Ciências em diversos campos emitem seu parecer sobre a questão. Duby comenta ter sido, em 1926, que a crença no determinismo sofreu o "primeiro golpe fatal", quando Heisemberg, demonstrou a impossibilidade de se realizar observações sem causar alterações no objeto visado. Esse teria sido o "golpe fatal" porquanto, desde o século XIX essa crença já se encontrava abalada pela dúvidas lançadas por Lobatchevsky sobre a verdade absoluta da geometria euclidiana, assim como pelos questionamentos de Weierstrass à adequação da matemática para a representação do mundo sensível. Mas ele próprio, Duby, considera ainda relativa a importância objetiva dessas contestações, na medida em que elas podem ser tomadas num sentido puramente formal ou meras "curiosidades matemáticas", que não chegariam a abalar os fundamentos da mais inquestionavelmente certa de todas as ciências. Objeções realmente significativas, na sua opinião, teriam sido a de Cantor, (1899) e Russel (1905), que apontaram vulnerabilidades nos próprios fundamentos da matemática. Cantor, chamando a atenção para a idéia de que "o conjunto de todos os conjuntos é uma noção contraditória e Russel, descobrindo um outro conjunto ( que parece) paradoxal: o conjunto de todos os conjuntos que não são elementos de si mesmos." (Duby; 1993: 32-33)
Duby, considera, entretanto, que a vitória final não caberá, fatalmente, ao princípio da incerteza porque os matemáticos já trabalham no sentido de descobrir a ordem sob a desordem, o certo no incerto.
Por outro lado, no campo da biologia, um novo olhar ecologicamente mais sensível, reconhece na Natureza um organismo que, além de extremamente complexo, oculta surpreendentes sutilezas. Por exemplo, como diz Bourguignon, as relações de um ser vivo com o seu meio não são evidentes. O meio não é, para o ser vivo, aquele que a ciência define como tal e sim um conjunto mais vasto de componentes que são em cada caso, significativos. Um e outro não são idênticos, como também são variáveis para as diferentes espécies: nNo mesmo território, o mundo exterior é diferente para a abelha e para o coelho. Um e outro estão, por certo, submetidos ao mesmo fluxo incessante de informações; não lhe atribuem, contudo, a mesma significação. Para cada um, apenas uma fração desse fluxo informacional é utilizável e concorre para a sua existência...(Bourguignon; 1990: 12)
As grandes conquistas da biologia no século XX, que, em seus começos, aparentemente viriam confirmar o paradigma da simplificação, hoje suscitam os maiores problemas relativamante ao mundo vivo. Entre outra razões, porque a biologia moderna inscreve de modo profundo e decisivo, a noção de acaso nas leis de Mendel e nos princípios que governam a individualização, a evolução e (e ainda porque) faz surgir uma relação complexa entre ordem e organização. (Morin; s/d: 334)
Hoje os biólogos, em geral, reconhecem que todo sistema constitui uma unidade complexa, que comporta diversidade, multiplicidade e até antagonismos. A complexidade viva é a diversidade organizada: A vida caracteriza-se pela sua extrema unidade e pela sua extrema desunidade (...) É uma unidade radical presente em cada ser, da ameba ao elefante — e global — a biosfera, que envolve todos os seres vivos (...); é não só diversidade/ pluralidade/ heterogeneidade, mas também, desunidade, desunião, cisão, dispersão, antagonismos (...) O problema do pensamento complexo consiste, pois, em pensar a unidade/desunidade da vida, sem reabsorver, reduzir, enfraquecer, um dos dois termos. (Morin; s/d:336)
É no âmbito da concepção da complexidade que os princípios da incerteza, do indeterminismo, da ordem na desordem têm lugar.
Mas essa própria concepção, a julgar pelos juízos expressos pelos próprios biólogos que a defendem, não parece ainda muito claramente definida: Atlan a conceitua como "uma desordem aparente na qual vemos razões para presumir uma ordem oculta, (ou) uma ordem cujo código não conhecemos" ( Atlan; 1992: 67) O mesmo autor identifica também a complexidade com uma "noção negativa", na medida em que ela indica apenas o reconhecimento de que alcançamos uma certa compreensão de um sistema em sua globalidade, sabendo , entretanto, que inúmeros aspectos ou detalhes nos escapam.
Atlan adverte, também no sentido de não se confundir a complexidade com a complicação. Esta é própria dos sistemas artificiais e pode ser medida por meio de planos ou programas que apresentem, em pormenores, a construção do sistema. Já no caso da complexidade, a noção deixaria de fazer sentido no caso do sistema em questão se tornar detalhadamente explicável. Ele diz ainda que a microfísica, a partir do começo do século XX e, mais recentemente, a biologia molecular.
Estariam nos ensinando coisas 'bizarras' onde o bom senso comum dificilmente se reencontra, e que forçam a questionamentos de pares conceituais, como realidade e representação, ordem e desordem, acaso e determinismo, pedras angulares do paradigma dentro do qual a ciência vinha progredindo majestosamente no caminho da verdade objetiva que se revelava, sem ambigüidades, ao homem munido da razão e do método experimental.( Atlan; 1992: 72)
Prigogine assim como Atlan, faz um paralelo entre as duas formas de cientificidade que hoje, de algum modo, já se confrontam: No passado, a ciência nos falava de leis eternas, hoje ela nos fala da história do Universo ou da matéria, o que revela uma aproximação evidente com a ciências humanas... Nessa perspectiva, a dialética entre a ciência e a sociedade assume novas formas... (Atlan; 1992: 77)

Uma escuta poética da natureza, que venha substituir a postura dominante, que faz da natureza um simples autômato é uma das suas sugestões.
Uma conclusão possível seria a de que, conforme sintetizou Morin, Vivermos em um mundo onde há apenas determinações, estabilidades, repetições, ciclos, mas há também o surgimento do novo. E (como acontece) em toda complexidade, há a presença de incertezas, seja empíricas, seja teóricas e, mais freqüentemente empíricas e teóricas. (Morin; 1993: 21)
Ele diz que pressentiu que a atual visão do mundo, inspirada nas descobertas das ciências físicas, passará ainda por transformações e relativizações, a partir de novas descobertas, que suscitarão novos enfoques teóricos e, tende a acreditar que essas eventuais mudanças se darão no sentido da complexidade.



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domingo, 24 de maio de 2009

Natureza e sociedade: questões sobre o olhar de Marx e Luckacs

Natureza e sociedade: questões sobre o olhar de Marx e Luckacs

Esse trabalho propõe-se discutir as relações entre natureza e sociedade na obra de Marx, a partir da sua interpretação por Lukács. Ao mesmo tempo, a partir de cada tópico, é posta uma questão específica. No primeiro, indaga-se sobre as relações entre o pensamento referido e a interdisciplinaridade no tratamento da questão ambiental; a segunda menciona os vínculos entre a ciência ambiental e a percepção dos dois domínios, natureza e sociedade, como realidades integradas; a terceira focaliza o trabalho como agente dessa integração.
Para discutí-las em conjunto, não parece incorreto resumí-las assim: A concepção das relações entre natureza e sociedade nos termos em que é exposta por Lukács seria um referencial teórico adequado ao tratamento da questão ambiental?
Para começo de discussão, talvez se possa acrescentar: mais do que adequado, a essa compreensão da interação entre os dois domínios ­ natureza e sociedade ­, não seria sempre necessária, pelo menos à melhor avaliação da gravidade e urgência do desastre ecológico mundial.
Tem crescido, parece, a consciência dos interessados pelo problema no sentido de que a questão ecológica não pode ser pensada apenas à luz dos processos biológicos:

“A questão ambiental envolve uma complexidade de relações que se estendem sobre a totalidade da vida social e a forma de pensar essa totalidade…Esta percepção da realidade pressupõe uma inter-relação e interdependência essencial de todos os fenômenos físicos, biológicos, psicológicos, sociais e culturais o que por sua vez, passa a requerer uma abordagem científica mais complexa e dinâmica do que a abordagem disciplinar herdada da ciência moderna.”(Moreira;1993:15)


Do reconhecimento dessa interação entre os dois mundos, o social e o natural através do trabalho, decorrem incontáveis conseqüências da maior complexidade, para os equacionamentos e encaminhamentos de soluções para a questão ambiental, em seus diversos aspectos, pois tornam-se evidentes as implicações político-econômicas dessa problemática. De tal modo que não se pode deixar de considerar estranho que as instâncias políticas detentoras dos poderes de decisão, embora comecem a demonstrar alguma consciência dos perigos que ameaçam a vida do planeta, limitam-se na prática, a tentativas e medidas de pequeno alcance, voltadas, na sua maioria, apenas para a correção dos danos industriais.
É reconhecido hoje que se a crise ambiental neste final de século confunde-se com os problemas do desenvolvimento, agravados pelos vícios que lhe são inerentes, essa crise não poderá ser resolvida apenas por medidas técnicas. A origem das dificuldades é de natureza social e política e é nessa perspectiva que devem ser considerados os problemas ambientais, a começar do seu diagnóstico. Como diz Guatarri:

“Não haverá verdadeira resposta à crise ecológica, a não ser em escala planetária e com a condição de que se opere uma autêntica revolução política, social cultural, que reoriente os objetivos da produção de bens materiais e imateriais.” (1986:9)

Essa abrangência e complexidade da questão ambiental justificam uma articulação entre a ciência ecológica, o tratamento científico interdisciplinar, e, principalmente, suscita o tema da sua abordagem do ponto de vista metodológico.

“A gestão dos ecossistemas e a ecologia humana aplicada tornam-se …novas tarefas que exigem a confluência de uma multiplicidade de disciplinas e de ações que, até agora, foram desenvolvidas de modo independente umas das outra ( Odum cit. Acot,1990:176)


A compreensão dessa necessidade resulta de uma nova percepção da vida e do universo, que hoje começa a se generalizar. Ela decorre, entre outros fatores, de uma progressiva tomada de consciência, pelo menos em algumas áreas do pensamento, das insuficiências das metodologias unidisciplinares no tratamento de qualquer questão social.
Partindo de diferentes preocupações, alguns teóricos, como, por exemplo Gregory Bateson e Edgar Morin, vêm obstinadamente procurando caminhos metodológicas condizentes com as novas aspirações científicas, que são, em geral, dissociadas de novas necessidades humano-sociais.
Bateson, em seu livro, Natureza e espírito, procura mostrar a importância de uma metodologia que nos permita ver elo que une todas as coisas: “Que constitui o elo que mantém unidas as estrela do mar, as anêmonas do mar, as florestas de sequóia e os grupos humanos”(1986:14)
Morin tenta construir uma metodologia que respeite e traduza a complexidade da coisas, dos existentes em geral. Quer articular a ciência do homem à ciência da natureza. Para isso considera necessário rever os princípios de explicação científica tradicionais que se atém à ordem dos fenômenos, isto é, às leis, às regularidades, aos determinismos, e, expelem do seu âmbito de preocupação as irregularidades, as indeterminações, o casual.

“Certamente, a missão quase vital da ciência até o fim do último século foi a de eliminar o incerto, o indeterminado, o impreciso, a complexidade, Para poder controlar e dominar o mundo pelo pensamento e pela ação … A sciênza nuova, em gestação é a que trabalha, negocia com o aleatório, o incerto, o impreciso, o indeterminado, o complexo”(Morin;1982:112)


E acrescenta que é das próprias dimensões abertas pela física atual, pela microfísica, pela cosmofísica, pela termodinâmica, que se verifica a importância da categoria desordem na consideração do universo. No caso da biologia, por exemplo, é forçoso reconhecer o acaso. Ele refuta as teses de René Thom concernentes às relações entre as condições da Terra e o surgimento da vida.

“Thom, como puro idealista lógico, pensa que a vida devia aparecer necessariamente sobre a terra. Certamente os encontros que suscitaram a primeira entidade viva obedeceram às leis físico-químicas que se manifestam necessariamente na condições desses encontros, mas teriam sido, eles próprios, necessários”? (Morin; 1982:113)


Prossegue a argumentação, apontados os dados empíricos que justificariam a posição anti-determinista por ele defendida. A mesma linha argumentação é usada em relação ao pensamento. Deveria ele Ter necessariamente, surgido? Então, porque em um único ramo da espécie animal em fase tão tardia?
São inúmeros os questionamentos nessa mesma ordem, dos que acabo de citar que os teóricos das ciências propõem à discussão, em conseqüência da crise do princípio clássico da explicação. A importância do aleatório impõem-se a cada dia. As ciências modernas reconhecem e enfrentam a contradição, na qual a ciência clássica via um sinal de que o universo obedecia à lógica aristotélica.
Enfim, a realidade é que o pensamento científico encontra-se em processo de transformação desde o começo do século. Vive-se certamente um momento de revolução científica, na linha sugerida por Kuhn, para quem

“a evolução científica é uma evolução da própria evolução das coisas e do real, o que significa que a ciência se desenvolve por revoluções paradigmáticas … Os paradigmas são alguns princípios que associam e dissociam noções fundamentais que comandam e controlam todo discurso teórico) ( Op cit. Morin, 1982:51)

Tranformam-se os paradigmas, novos princípios se impõem à teorização científica. No caso o que se busca são paradigmas que não falseiem ou anulem a complexidade, como é próprio ao paradigma da simplificação , que opera de forma a eliminar todos os aspectos não compatíveis com a linearidade lógica. Eliminação que se processa principalmente, através de processos de idealização, de racionalização, de normalização.
A idealização consiste na crença de que a realidade possa ser reabsorvida na idéia, que só o real, seja inteligível; a racionalização consiste na utilização de processos metodológicos que possibilitam a mutilação ou fragmentação de uma dada realidade, isto é cabível na coerência lógica de um sistema; a normalização permite ou provoca a eliminação do estranhável, do irredutível, do mistério.
Essas considerações sobre o movimento que se processa hoje no âmbito do pensamento científico tem como objetivo indicar os rumos que estão sendo procurados no plano teórico para uma efetiva transformação das relações entre os homens e seu ambiente.
Uma síntese do que venho tentando, sumariamente, expor é feita por Morin num trecho que embora longo, merece ser transcrito, principalmente porque nele também estão ligados diferentes temas que nos interessam aqui:

“Enquanto a ciência clássica fragmenta os fenômenos e impede toda tomada de consciência molar ou global, a nova ciência ecológica faz surgir, por si mesma , problemas simultaneamente fundamentais e urgentes concernentes à vida da natureza, à vida das sociedades. Melhor ainda: a ecologia geral suscita o problema da relação homem/natureza, no seu conjunto, na sua amplitude, na sua atualidade. Suscita um problema de vida e de morte, de devir para espécie humana e para a biosfera. A partir daí, a comunicação entre o fato e o valor entre a ciência e a consciência encontra-se novamente ativa. A ecologia geral é a primeira ciência que enquanto ciência (e não pelas conseqüências trágicas das suas aplicações, como a física nuclear e, em breve a genética e a ciência do cérebro), apela quase diretamente para uma tomada de consciência. E é a primeira vez que uma ciência, e não uma filosofia, não põe o problema entre humanidade e a natureza viva. ( Epígrafe, Viola & Leis;1991:22)

No seu estudo sobre as relações entre natureza-sociedade, Marx envolve filosofia, economia, história, sociologia, antropologia. Inaugura assim, um procedimento teórico metodológico interdisciplinar, que oferecendo vantagens indiscutíveis, comporta entretanto, difíceis exigências, para não se reduzir a uma simples justaposição das diversas ciências.
Três séculos de domínio de um racionalismo reducionista colocado na linearidade lógica ensinaram-nos a ver fragmentariamente o real. Morin define algumas das suas exigências essenciais:

“Para que haja uma verdadeira interdisciplinaridade, requerem-se disciplinas articuladas e abertas sobre fenômenos complexos e, bem entendido, uma metodologia ad hoc. Requer-se também uma teoria, um pensamento transdisciplinar que se esforce por abarcar o objeto, o único objeto, ao mesmo tempo contínuo e descontínuo da ciência: a physis”. (Morin;1973:229)

Na sua obra a Ontologia do ser social, Lukács mostra-se crítico em relação à postura de todas as filosofias do passado, mesmo as mais importantes no que diz respeito aos problemas pertinentes ao ser social. Essas filosofias, ele diz, ou acentuam radicalmente as diferenças entre sociedade e natureza, contrapondo um reino da liberdade a um reino da necessidade ­ como teria acontecido com Kant, ou ao contrário, diluem ou negam as particularidades inerentes ao ser social, estabelecendo uma completa identificação entre os dois planos do ser.
O ser social ele observa “possui muitas zonas que, assim como a natureza, parecem sujeitas à necessidade, à legalidade”. (Lukács;1984:1)
Somente Marx ao seu ver, estabelece o equilíbrio na temática, com a observação de que, se a ontologia geral engloba, ou melhor, compreende os “fundamentos ontológicos do ser”, (Lukáks;1984:2) também no ser social há de se verificar a presença de determinações próprias do ser em geral. Ou em outras palavras,

“a ontologia da natureza inorgânica, enquanto fundamento de todo existente, é por isso geral, porque não pode haver existente que não seja de qualquer modo fundada na natureza inorgânica. Na via aparecem novas categorias, mas estas podem operar com uma eficácia ontológica somente sobre a base das categorias gerais, com elas interagindo”(Lukács;1984:2)

É, entretanto o trabalho a categoria pela qual se deve começar quando se quer chegar à compreensão das especificidades do ser social de um ponto de vista ontológico. Estritamente considerado, em sua forma originária, o trabalho deve se conceituado como “órgão de intercâmbio entre o homem e a natureza” ( Lukács;s/d:29)
Nesse processo interativo, geram-se “novas relações da consciência com realidade e, em decorrência , consigo mesma”.(Lukács:01) Ciências, linguagem, sentimento de liberdade, noções éticas, criações chamadas “do espírito”, que são por sua vez, cada uma delas, dotadas de forte poder estruturante da vida social, vinculam-se, em última instância, à natureza.
O conceito de trabalho, na acepção de Marx só é aplicável, estritamente falando, ao trabalho humano, pois a sua especificidade decorre, essencialmente, da sua dimensão teleológica, que lhe confere o caráter criador, fonte de novas objetividades.
Esse sentido teleológico do trabalho tem sido em geral compreendido, como é manifesto tanto na vida ordinária dos homens em geral como nas científicas, filosóficas ou nas criações míticas. Mas há uma tendência a extrapolá-lo do domínio do trabalho humano, estendendo-o a outras esferas, como se viu ocorrer mesmo entre grandes filósofos. Hegel faz da teleologia o motor da história, Aristóteles a eleva a categoria cósmica. Kant mostra romper com essa idéia filosoficamente arraigada, de um sentido teleológico na natureza e na vida, definindo a esta última como “finalidade sem objetivo”. Mas não aprofundou a reflexão denunciada pelo enunciado referido, talvez em conseqüência da sua preferência fundamental pelas questões epistemológicas.
Marx, nessa citação de Lukács (s/d:9), é categórico:

“O trabalho não é uma das muitas formas fenomênicas da teleologia em geral, mas o lugar onde se pode demonstrar, ontologicamente, a presença de um pôr teleológico, como momento efetivo da realidade material”.
BIBLIOGRAFIA


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BATESON, G. Natureza e espírito. Uma unidade necessária. Lisboa,
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LUKÁCS G. Ontologia do ser social. Os princípios ontológicos fundamentais de Marx. São Paulo, Livraria Editora Ciências Humanas,1979

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